Acervos brasileiros no exterior

Como parte do esforço em reunir a maior quantidade de dados e informações existentes sobre a biodiversidade brasileira, o MCTI/CNPq coordena ações de repatriamento de dados sobre a biodiversidade brasileira que estão em coleções biológicas no exterior.

Iniciado em 2010, o Programa Reflora objetiva resgatar e disponibilizar informações e imagens de amostras da flora brasileira coletadas por missões estrangeiras no Brasil desde o século XVIII. O programa começou com a digitalização dos acervos do Royal Botanic Gardens de Kew, na Inglaterra, e do Muséum National d'Histoire Naturelle de Paris, na França. A primeira fase do projeto foi responsável pela repatriação de 549.244 dados. Na segunda fase, com duração prevista até 2017, espera-se repatriar outros 656.500 dados, totalizando a integração ao SiBBr de 1,2 milhão de registros da flora brasileira a partir de coleções no exterior.

Em 2016, MCTI e CNPq discutem a concepção do Programa Refauna, que a exemplo do Reflora, irá promover ações de repatriamento de dados sobre amostras da fauna brasileira. O MCTI, com auxílio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, coordena um piloto de pequenos projetos demonstrativos que irão iniciar, ainda em 2016, ações de repatriamento de dados da fauna brasileira a partir de museus europeus e/ou americanos.

Veja no mapa as instituições de onde os dados estão sendo atualmente repatriados:

Admirável Mundo Novo

Desde a chegada dos portugueses ao Brasil, o país sempre chamou a atenção dos mais diversos estudiosos. A partir do século XVIII, com o avanço das ciências naturais na Europa, diversas missões estrangeiras vieram ao país para tentar desvendar os mistérios da natureza selvagem. É incalculável a quantidade de amostras da biodiversidade brasileira que foram coletadas e levadas para fora do Brasil e hoje pertencem a coleções biológicas em todas as partes do mundo.

1816 -  O botânico francês Auguste de Saint-Hilaire inicia uma viagem de cinco anos por diversas regiões do Brasil, na qual coletou cerca de 30 mil exemplares, dos quais seis a sete mil espécimes de plantas. A viagem resultou nos três volumes da Flora brasiliae meridionali (1825, 1829 e 1833) e os exemplares botânicos foram depositados no Herbário de Paris do Muséum National d’Histoire Naturelle e da universidade de Montpellier e de Clermont-Ferrand, França.

1817 - A Missão Austríaca chega ao Brasil junto com a arquiduquesa Leopoldina da Áustria, que se casaria com o futuro Imperador do Brasil Dom Pedro I. Nela vieram Karl Philip von Martius, Johann von Spix e Thomas Ender, que até 1820 percorreram cerca de 10 mil quilômetros no Brasil, recolhendo informações sobre a flora, fauna e sociedade brasileira. De volta a Europa, eles publicaram o Flora Brasiliensis, uma das obras mais completas da botânica nacional, com mais de 22 mil espécies catalogadas.

1832 - Foi a vez do então jovem Charles Darwin desembarcar em Salvador a bordo do veleiro HMS Beagle, a serviço da Marinha Real Britânica. Em seu diário, o naturalista se mostra maravilhado ao vivenciar a exuberância da fauna e flora de uma então quase intacta Mata Atlântica. Em cinco anos, a expedição explorou praticamente toda a costa da América do Sul, da Bahia ao arquipélago de Galápagos, no Equador, com paradas no Uruguai, Argentina, Chile e Peru. A viagem foi fundamental para Darwin desenvolver sua teoria da evolução e publicar o clássico “A Origem das Espécies”, em 1859.

SiBBr - Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira