Ocorrência de zoonoses

Todas as espécies são parasitadas ou convivem com outras espécies nas quais encontram alimento e habitat para sua sobrevivência. No entanto, parasitismo não significa obrigatoriamente a presença da doença parasitária, na maior parte das vezes determinada por fatores como desnutrição, baixa imunidade, existência de outras doenças, carga parasitária alta em razão de forte exposição a condições ideais de transmissão ou ainda, por contatos com novas espécies de alta patogenicidade.

Apesar terem o potencial de acometimento de doenças, na natureza, os parasitos apresentam papel ecológico importante, pois modulam geneticamente e controlam as populações de seus hospedeiros e vetores e constituem parte importante da biodiversidade e da biomassa do planeta. As zoonoses são doenças e infecções cujos agentes parasitários são naturalmente transmitidos entre animais vertebrados, incluindo os humanos. Por sua condição ecológica, os humanos, participam dos ciclos biológicos de parasitas e têm, inclusive, seus parasitos específicos. Quando circulam em ambientes naturais, os agentes parasitários normalmente se diluem entre diversas espécies que, entre boas mantenedoras e más mantenedoras, tem a capacidade de diluir sua transmissão. Esse é um benefício que a biodiversidade presta à saúde, raramente contabilizado.

Inseto da subfamília Triatominae, que pode transmitir doença de Chagas.

As alterações ambientais, incluindo as mudanças climáticas e a perda da biodiversidade, além de mudanças comportamentais e a rapidez da circulação de pessoas, animais e mercadorias são fatores determinantes para a emergência de zoonoses. Esses e outros fatores podem estar na origem das forças seletivas de novas variações genéticas de parasitos que permitem o rompimento de barreiras biológicas, ou seja que agentes patogênicos de uma espécie passem a parasitar outras espécies que nunca haviam parasitado (como o vírus da gripe aviária) e o aumento do potencial de dispersão de doenças em humanos (como o vírus Ebola).

No Brasil, diversas zoonoses são endêmicas em todo ou parte do território nacional, como a malária na Amazônia, a doença de Chagas no Nordeste com recente emergência na Amazônia, as leishmanioses em todo o País e ainda muitas outras. Essas emergências quase sempre estão associadas aos territórios mais atingidos por impactos naturais e antropogênicos e a perda de espécies nativas, compondo também a gama de parâmetros que tornam as desigualdades sociais ainda mais severas e injustas, como forte repercussão e custos para a saúde e a qualidade de vida.

Considerando que mais de 1000 espécies de parasitas (bactérias, vírus, helmintos, fungos e outras) podem circular na espécie humana e que a maioria (60,3%) das doenças infecciosas circulam entre animais e humanos é importante considerar o papel da biodiversidade em seu controle. Ainda é importante considerar que doenças podem emergir dos ambientes naturais, mas que são seus agentes os mesmos a fornecer as bases para a produção de vacinas e outros insumos para a saúde.

Doenças de notificação obrigatória no Brasil
SiBBr - Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira